O “Lost Pages Club” foi lançado a 1 de Novembro de 2010 como um novo jogo social literário em tempo real. Inovador em Portugal, foi planeado para durar 8 sessões. Em cada uma são divulgadas 5 páginas de livros que os jogadores devem identificar para ganhar pontos. O jogador que termine com mais pontos ganha o prémio final.

Esta entrevista desvenda a origem, o funcionamento e o futuro deste jogo.

Que ideia é esta de uma entrevista de bastidores, tipo “Making Of”?

Bom, a verdade é que sempre tive curiosidade em aprender como as coisas são feitas. Por isso, gosto muito de documentários e filmagens dos bastidores de eventos, preparação de equipas, construção de máquinas, etc.

Como penso que essa curiosidade é partilhada por muita gente, acho interessante e construtivo partilhar a experiência adquirida no desenvolvimento deste tipo de projectos e iniciativas, e assim satisfazer a curiosidade de quem está… “do lado de fora” :-)

Como e quando surgiu a ideia do “Lost Pages Club”?

Foi no final de Setembro de 2010. A ideia surgiu da vontade de criar uma pequena actividade estimulante à volta dos livros, que as outras pessoas achassem interessante e, de alguma forma, as conseguisse cativar.
Apesar de viver imerso no mundo digital, desde criança que tenho uma grande paixão por livros, e queria experimentar algo diferente, inovador :-)

Quando surgiu, a ideia era muito simples, baseada em papel e numa técnica simples de “marketing de guerrilha” :-)

  • escolher uma página de um livro
  • digitalizá-la
  • incluir no verso um endereço web
  • espalhar fotocópias dessa folha em locais públicos, na esperança que as pessoas tivessem curiosidade e fossem ver esse site online
  • o site (um blog) teria um post para cada página “perdida”, com o nome e a capa do livro e alguns links relacionados

Ou seja, as páginas seriam “perdidas” na rua, para serem encontradas pelas pessoas, de preferência pessoas que gostassem de ler livros :-)

Daí a origem do nome: “Lost Pages Club”.

No entanto, após reflectir sobre a ideia, ocorreu-me que seria mais abrangente, económico (!), ecológico e interactivo executar a ideia só via internet, evitando a impressão e distribuição dos “folhetos”.

Em poucos dias, redefini o conceito/mecânica do jogo: objectivo, regras, formas de participação, …

O que mudou nessa altura?

Houve várias alterações fundamentais, que “redefiniram” o jogo:

  • objectivo do jogo: as pessoas deixariam de ir à internet para saber os detalhes dos livros. Passariam, isso sim, a ter que descobrir (desvendar) os livros, para receber um prémio!
  • as páginas inicialmente eram só de texto, mas isso seria redutor e monótono. Daí ter decidido escolher seis tipos de livros diferentes: ficção, biografias (relatos reais), diários gráficos, banda desenhada (e graphic novels), colectâneas de entrevistas e livros infantis :-)
  • de uma ideia inicial de pequenos prémios semanais passei para um único prémio final mais significativo, para simplificar a logística e a gestão do jogo
  • para simplificar e organizar o jogo, optei por uma edição semanal, para os jogadores terem uma semana inteira para investigar os livros mais difíceis, caso fosse necessário (não foi :-)
  • para facilitar a memorização e habituar as pessoas à regularidade do jogo, as novas páginas seriam publicadas todas as 2ª Feiras, às 10h da manhã

Pode resumir os 4 meses do projecto, de Set. a Dez. 2010?

Vejamos… Quando a poeira assentou, no final de Setembro, a estrutura do jogo ficou bastante simples:

  • 40 livros
  • 6 temas
  • publicação em grupos de 5 páginas
  • 8 semanas de duração
  • 3 níveis de dificuldade com pontuações bem diferenciadas
  • participação via blog e Facebook
  • um prémio final
  • um contra-relógio final para um prémio extra

Em Outubro preparei então a maioria dos materiais:

  • escolha dos livros da minha biblioteca pessoal
  • escolha e digitalização das páginas
  • organização das páginas por temas, por níveis de dificuldade, por semanas
  • registo dos dados dos livros numa folha de cálculo
  • definição do branding (nome, logótipo, “tag”/slogan, resumo)
  • registo e preparação das páginas online: blog, Facebook, Twitter, Google Docs
  • registo do domínio “lostpagesclub.com”
  • preparação dos documentos fundamentais: regras/FAQ, tabela de pontuações
  • preparação dos 40 “posts” do jogo, e pré-publicação de forma “oculta”
  • compilação dos links sobre os livros, incluindo links para as lojas online
  • lançamento da mini-campanha de “teasers” (“chamarizes”) no blog, Facebook e Twitter
  • divulgação às comunidades online (amigos, Facebook, BookCrossing, …)

Novembro foi o mês principal do jogo, em que decorreram 7 das 8 sessões planeadas. Teve uma rotina regular:

  • publicação das páginas à 2ª Feira, às 10h
  • monitorização das respostas
  • gestão de incidentes
  • actualização das pontuações
  • publicação dos detalhes sobre os livros: links para artigos, sites, sinopses, audiobooks, ebooks, lojas, …
  • monitorização e inventariação de artigos, comentários e links publicados noutros sites
  • monitorização das visitas ao blog, para avaliar a evolução do jogo
  • divulgação regular de “updates” e “teasers”
  • divulgação noutras comunidades relacionadas com livros: outros bloggers, professores, bibliotecários, …
  • preparação de acções adicionais, como o cartaz de divulgação para as escolas e bibliotecas, pequenos “cartões” com o grafismo do cartaz para distribuição aleatória na rua… e esta entrevista :-)

Dezembro é o mês do encerramento:

  • contagem final dos pontos
  • gestão de eventuais empates (algo que não vai ocorrer, mas estava previsto :-)
  • organizar o encerramento do jogo e o desafio final: o “Jackpot 24H”
  • entrega do prémio
  • actividades finais (“wrap-up”) no blog
  • avaliação global do jogo, em termos de impacto, erros e novas possibilidades

A ideia é inspirada, copiada ou adaptada de outro jogo?

Não. A ideia/conceito base é bastante simples, e não foi copiada ou adaptada, algo que, nos dias que correm, é difícil :-) Tanto quanto sei, a ideia é original a nível internacional.

No fundo, o objectivo do LPC é…

Criar um jogo simples, rápido e diferente à volta dos livros, mas com uma forte componente online. Pôr à prova várias técnicas e conceitos. Ver se a fórmula final resulta e se cativa as pessoas.

Acima de tudo, atrair as pessoas para uma interessante e variada selecção de 40 livros, e com isso eventualmente estimular a sua leitura.

Que técnicas são essas que estão no “ADN” do LPC? É possível saber ou também são segredo?

Não, não são segredo :-)
É um conjunto de técnicas simples e bastante usadas na gestão de comunidades online, pelas empresas de marketing e pelos fabricantes de jogos.

Olhando para todo o jogo a posteriori, descortinam-se facilmente:

  • simplicidade: definir uma estrutura estrutura de jogo simples: 1 livro = 1 página = 1 post; definir regras simples e divulgá-las convenientemente; aceitar as respostas no posts respectivos (no blog ou no Facebook); normalizar os materiais a publicar, incluindo o nome dos posts (“LPC n”) e os “links curtos” (“bit.ly/LPC_n”) ; simplificar a atribuição dos pontos (só a resposta correcta mais rápida é que ganha); facilitar a percepção dos livros ainda por desvendar (marcar os posts com “Desvendado!”)
    .
  • mística: não dizer tudo, deixar sempre algo no ar, e só revelar daí a umas horas ou dias, ou na semana seguinte!
  • curiosidade/mistério: criar interesse no jogo com “teasers” prévios; fomentar a curiosidade: publicar “pistas” para a semana seguinte
    .
  • público-alvo/“target”: pessoas que gostem de ler livros
  • objectivo/prémio: definir um prémio adequado, e flexível, que dê margem de escolha ao vencedor; os prémios devem “fazer sentido” e estar bastante relacionados com a natureza do jogo
  • desafio extra: definir um prémio contra-relógio (“Jackpot 24H”); estratégia de emoção/risco: “dobro ou nada!”
    .
  • qualidade: ao digitalizar, preservar ao máximo a qualidade gráfica das imagens, para respeitar o trabalho dos artistas e das editoras; atenção particular às imagens das BD e graphic novels, e aos álbuns em grande formato
  • regularidade: permitir às pessoas integrar o jogo na vida diária, facilitando a memorização das datas: às 2ªs feiras, às 10h
  • pontualidade: nunca falhar a hora da publicação; não desiludir nem fazer esperar as pessoas
  • acessibilidade: utilização das 3 plataformas online mais comuns, para maximizar o acesso ao jogo: um blog em WordPress, e páginas no Facebook e no Twitter; dispensar registo para poder jogar; digitalizar as imagens com resolução suficiente (150dpi’s) para zoom e impressão com qualidade
    .
  • branding > design: usar uma imagem gráfica simples, sem artifícios, que traduza bem o carácter do jogo; o “template” gráfico do blog deve permitir dar ênfase às imagens das páginas, pois são o “centro” do jogo
  • branding > exclusividade/escassez: o nome do jogo deve transmitir a noção de exclusividade, de grupo restrito com interesses específicos (“Lost Pages Club”); o “tag”/slogan deve criar uma ligação com o público-alvo e reforçar o carácter de exclusividade (“Reservado a quem gosta de livros”)
  • branding > designação/”missão”: o resumo/descrição do jogo deve referir sucintamente os pontos fundamentais do projecto: “novo jogo online literário em tempo real”
    .
  • transparência: esclarecer claramente independência em relação a lojas/editoras; todas as respostas estão online, e podem ser avaliadas por todos; todas contém “timestamps” atribuídos automaticamente pelo WordPress e pelo Facebook; não permitir jogadores anónimos
  • credibilidade/rigor/isenção: só aceitar respostas rigorosamente iguais às capas dos livros; avaliar situações imprevistas com justiça; reconhecer os erros e agir rapidamente em conformidade
    .
  • planeamento: preparação da generalidade dos conteúdos com bastante antecedência, para evitar atrasos, erros e incidentes
  • contingências: tentar prever o que pode falhar; ter sempre um plano B para os momentos críticos do jogo
  • monitorização: avaliação diária da evolução do nº de visitantes no blog e no Facebook, e nº de “amigos” no Facebook e de “followers” no Twitter
    .
  • lógica de “jogo”: estimular a competição saudável; definir um prémio; atribuir pontos (definir pontos com intervalos significativos para ser mais apelativo); definir uma “tabela de pontuações”; actualizar a tabela tão rápido quanto possível; dificuldade progressiva para não desmotivar; dificuldade máxima a meio do jogo; permitir e incentivar a formação de equipas
  • velocidade: dar ritmo rápido ao jogo (“jogo em tempo real”); só a primeira resposta correcta é que recebe pontos; publicação rápida e simultânea nas 3 plataformas online: blog, Facebook e Twitter
    .
  • comunicação: manter os jogadores constantemente informados; manter as pontuações actualizadas; assinalar de forma clara os livros desvendados; fazer resumos semanais; fazer pequenos “updates” no Facebook e no Twitter; fazer grandes “updates” através de posts no blog
  • personalização/empatia: humanizar o jogo; criar tabela de pontuações com nomes dos jogadores; dar protagonismo aos jogadores: fazer resumos referindo a sua performance
  • amabilidade: mostrar claramente que são os visitantes e os jogadores que fazem o jogo; reconhecer o seu entusiasmo e participação; gerir eventuais conflitos com cortesia; esclarecer dúvidas durante o decorrer do jogo, ou em situações de “tentativa e erro”
  • reconhecimento: notificar os autores portugueses com livros no LPC do seu “envolvimento” no jogo
    .
  • divulgação/promoção/tracção: divulgar o jogo em sites/blogs/fóruns adequados e relevantes; contactar directamente bloggers e editores reconhecidos; esforço permanente para incentivar divulgação viral/”orgânica”
  • parcerias: divulgar o jogo em blogs e fóruns relacionados; convidar os bloggers a divulgar e as comunidades a participar; inventariar páginas e links de divulgação do LPC; referenciá-los no blog, na página “Sobre”

Porquê o nome “Lost Pages Club”?

Tal como foi referido atrás, a ideia inicial era deixar (“perder”) páginas em locais públicos, que seriam encontradas por um grupo (“clube”) de pessoas que iriam desvendar online a que livros pertenciam.

E o logótipo? De onde vem a ideia do “Livro Detective”?

Ao procurar imagens de “pilhas” de livros (um dos conceitos que poderia ser usado no logótipo), a imagem em clipart do “Livro Detective” aparecia frequentemente.

Quanto mais olhava mais me parecia adequada :-) Uma figura baseada num livro, com ar misterioso, de investigador privado… Tinha tudo a ver com o conceito do jogo: desvendar livros :-)

Para um jogo simples, um logótipo simples.

E as ilustrações usadas? Como surgiram? São compradas ou “emprestadas”…?

Todas as ilustrações usadas no blog estão devidamente licenciadas e pertencem a Mark A. Hicks, um ilustrador americano que colabora com o site Discovery School. Aí está disponível uma grande colecção de clipart, que pode ser usada gratuitamente em projectos sem fins lucrativos, como o “Lost Pages Club” :-)

A publicação inicial era de 5 páginas por semana. Por que é que “acelerou” o jogo? Porquê as “Sessões Duplas Especiais”?

Por razões práticas: se o jogo durasse as 8 semanas inicialmente previstas, ia terminar a 20 de Dezembro, já demasiado próximo do Natal. É uma altura em que as pessoas têm, naturalmente, outras prioridades e era possível que houvesse um decréscimo no interesse e participações no jogo.

Por outro lado, estava consciente que, dado o ritmo rápido do jogo à 2ª Feira de manhã, as pessoas que só conseguiam visitar o blog à 2ª Feira à noite nunca teriam oportunidade de participar e desvendar livros.

Assim, criando duas sessão adicionais à noite, às 22H, na 4ª e 5ª semana do jogo, essas pessoas já poderiam participar.

Por outro lado, o jogo assim terminaria duas semanas mais cedo, no início de Dezembro :-)

Por que é que, nos textos e comentários, usa o tratamento menos usual, no feminino?

Por razões estatísticas, por intuição e por rebeldia.

Em Portugal, há mais mulheres a ler livros do que homens, pelo que era previsível que o jogo chamasse mais a atenção de leitoras do que leitores.

Por outro lado, no decorrer do jogo, as participações no jogo e os comentários/posts noutros sites foram maioritariamente de mulheres.

E finalmente, porque é interessante combater esse pequeno detalhe da Língua Portuguesa que dá sempre primazia ao tratamento no masculino ;-)

E os apoios? Quem está por detrás do LPC?

O único apoio que o jogo tem é da editora Gradiva que oferece o prémio do “Jackpot 24H”: €250 em livros à escolha.

Então o LPC não é uma campanha de marketing viral?

Não. Não há nenhuma editora ou empresa por detrás do “Lost Pages Club”. Este é um jogo muito low profile, só para quem gosta de livros ;-)

Que livros são estes? Como foram escolhidos?

São todos livros da minha biblioteca pessoal, comprados ao longo dos últimos vinte anos. São livros de que gosto particularmente, que me dizem algo de especial e que eu quis partilhar.

E as páginas? Também foram escolhidas criteriosamente?

Sim, não foram escolhidas ao acaso. São páginas que, para mim, exprimem bem o espírito da obra. Algumas até são um bocadinho… subversivas ;-)

Deu muito trabalho criar o LPC?

Humm… O que deu mais trabalho foi digitalizar os álbuns de BD, para conseguir preservar as cores e os detalhes com o máximo de qualidade.

A compilação dos links para as lojas online e a procura de artigos sobre os livros foram as tarefas que demoraram mais tempo.

Mas descobri sites fantásticos que não conhecia, e referenciei artigos de excelentes bloggers portugueses e brasileiros :-)

É fácil gerir o jogo? O que é mais complicado?

As 2ª Feiras são, sem dúvida, os dias mais complicados :-)

Os jogadores são muito rápidos a desvendar os livros e têm a expectativa natural de querer saber se acertaram e quantos pontos já têm. É necessário actualizar as pontuações, marcar os posts com “Desvendado!” e fazer o resumo ao final do dia.

As “Sessões Duplas Especiais” na 4ª e 5ª semanas tornaram as 2ª Feiras ainda mais… frenéticas :-)

O resto da semana é relativamente calmo, dado que todo o material do jogo foi preparado previamente, e está pronto a ser publicado.

Como foi a adesão da comunidade online?

Numa palavra só? Fantástica :-)))
O nº de visitas à 2ª Feira aumentou sustentadamente semana após semana, e o nº total de visitantes ultrapassou as 5.000 visitas num mês.
Tratando-se de um projecto low profile para testar um novo conceito de jogo online, excedeu muito as minhas expectativas :-)))

Se o LPC começasse hoje, o que seria diferente?

Talvez não tivesse colocado tanto ênfase nas páginas no Facebook e no Twitter. Analisando as estatísticas nas várias plataformas, nota-se que a maioria dos visitantes consulta apenas o blog.

Publicar somente no blog teria simplificado o jogo, mas foi uma decisão estratégica inicial, para tentar cativar leitores facilitando o “acesso” ao jogo através das duas redes sociais mais conhecidas em Portugal.

Houve algum episódio engraçado ou “incidente” durante esta 1ª edição do LPC?

Vejamos…

  • O lançamento do jogo, no dia 1 de Novembro, foi… “inusitado”. Foi feito a partir de um notebook com pen wireless… num quarto de hotel… em Belmonte. Sim, estava de férias… :-)
  • Também no 1º dia, tive a 1ª reclamação no jogo: o jogador tinha razão e tive que reatribuir as pontuações. Aprendi rapidamente a ser mais atento e cuidadoso no apuramento dos vencedores :-)
  • Na 3ª semana, tive a 2ª reclamação, devido a duas edições do mesmo livro, mas com capas e sub-títulos diferentes. Decidi atribuir os pontos a ambos os jogadores.
  • Finalmente, um dos pontos altos do jogo foi na penúltima semana. O ritmo do jogo esteve ao rubro, e houve um verdadeiro “derby” entre os dois jogadores mais pontuados, com os livros a serem disputados ao minuto, e ao mínimo detalhe!

O que foi mais difícil de gerir?

  • Ser o árbitro/juíz do jogo revelou-se mais difícil do que previra. É preciso estar extremamente atento para não cometer erros técnicos nem injustiças. Muitas vezes foram os pequenos detalhes que decidiram o(a) vencedor(a). No entanto, as regras eram simples e claras, e os jogadores compreendiam as decisões.
  • A publicação das páginas à hora marcada: para ser rigoroso e iniciar a publicação às 10h, foi usado como referência o site da Hora Legal Portuguesa (!) no OAL.

Houve desilusões? E surpresas agradáveis?

Fiquei um pouco desapontado com o resultado de um dos convites para apoiar o jogo.

Após o arranque, na 1ª semana de Novembro, convidei a FNAC a apoiar o “Lost Pages Club” oferecendo o 1º prémio, o cheque-oferta de €250. Estava convicto que esse valor seria insignificante para a empresa. A resposta veio, simpática e muito cortês, mas… negativa. Talvez os consiga convencer para uma próxima edição… ;-) LOL

Por outro lado, o convite à editora Gradiva teve a reacção completamente oposta. A editora decidiu imediatamente apoiar o projecto, oferecendo o prémio do “Jackpot 24H”: €250 em livros à escolha do(a) vencedor(a).

Como leitor fiel da Gradiva desde a juventude, foi uma surpresa muito agradável e uma óptima parceria! Um agradecimento especial ao Dr. Guilherme Valente pelo apoio entusiástico e incondicional!

Há alguma palavra-chave para definir o LPC?

É melhor serem duas :-) Simplificação e preparação.

Simplificação:
Regras simples tornaram o jogo mais claro (menos sujeito a reclamações de arbitrariedade) e mais fácil de gerir em termos técnicos. Para minimizar a hipótese de erros, houve também um esforço de normalização dos nomes de ficheiros, posts, “links curtos” do bit.ly, etc.

Preparação:
Todo o jogo foi preparado com muita antecedência, no mês anterior ao arranque. Isso foi deliberado, para que pudesse concentrar-me na gestão das participações, dos comentários, na “arbitragem” do jogo, gestão de “incidentes”, etc.

O que é que não foi possível preparar com antecedência?

Os resumos das 2ª Feiras, por exemplo :-) Acabei por achar divertido “relatar” a progressão das jogadoras e jogadores nesse dia, os pontos ganhos, os empates. Assim foi possível dar protagonismo individual às pessoas e estimular a participação de mais visitantes :-)

Um jogo destes cresce só através da participação, envolvimento e interesse das pessoas. O grande desafio é incentivar e acarinhar quem está a jogar e cativar quem está a observar.

Foram as pessoas que fizeram o sucesso do “Lost Pages Club” :-)

Quem está por detrás do LPC?

Ricardo Nuno Silva, 40 anos, web developer, blogger, curioso e leitor incansável :-)

Uma pessoa só?…
Um projecto simples, planeado e preparado com antecedência, e executado metodicamente, dispensa uma equipa grande ;-) LOL

O que vai acontecer a seguir?

Falta o momento final do jogo: apurar a vencedora (já se sabe que é uma leitora :-) e fazer a pergunta derradeira: se se candidata ao “Jackpot 24H”.
A resposta definirá o final do jogo :-)

Quando vai ser a próxima edição do “Lost Pages Club”?

Talvez surja mais rapidamente do que o esperado… ;-)
Depende das parcerias que se estabeleçam, e da energia e dinamismo nessas parcerias :-)

Há várias ideias possíveis para fazer evoluir o conceito e a escala do jogo, até a nível internacional. Vai depender das parcerias que surgirem.

Quer acrescentar umas últimas palavras?

Gostava só de agradecer uma vez mais o entusiasmo e interesse de todas as leitoras e leitores que acompanharam, participaram e divulgaram o “Lost Pages Club”.

O meu sincero obrigado a essa “maioria silenciosa” que, tal como eu, adora livros :-)

Às jogadoras e jogadores que participaram activamente: foram vocês que deram vida ao jogo!
Sem vocês, isto era… só mais um blog ;-)

Valeu a pena?

Como jogo, o “Lost Pages Club” é um projecto pequeno, com uma divulgação online algo restrita. Mas isso não quer dizer que não tenha sido organizado com o máximo de rigor, profissionalismo e honestidade.

Como se costuma dizer “devemos dar o melhor de nós mesmo nas coisas mais pequenas”.

Sim, claro que valeu a pena!
Obrigado… e até já! :-)

___

Ricardo Nuno Silva é autor do ebook “Quero Voar!”, promotor da iniciativa “Emílio Dentro da Terrina” e criador do jogo literário “Lost Pages Club”. Traduziu “Days With My Father”, brevemente à venda em Portugal.

Anúncios